A endorfina foi embora

agosto 31, 2012

Meus dias se dividem entre os que eu vou para a academia e os que eu não vou. A diferença é latente. Outro dia desses, a Renata insistiu veementemente para eu começar a malhar nos fins de semana também.

Fiquei pensando sobre isso e elaborei uma teoria. Se atividades físicas realmente te deixam mais feliz, a probabilidade de isso acontecer com trabalhos manuais é alta, não? Considerando que as pessoas economicamente abastadas desempenham mais atividades intelectuais do que as em desvantagem econômica, a conclusão é óbvia: os pobres são felizes graças à endorfina!

Será, então, que existe algum tipo de compensação divina? Será que deus existe?

Então pode parar com aquele discursinho barato: “fulaninho de tal batalha tanto, mas sempre está com um sorriso no rosto….” A preposição da frase anterior está errada! Afinal, isso é química e não grandeza de espírito!

(Será que agora eu estou sendo preconceituosa? É bem capaz. Deus – aquele ali que acabei de duvidar da existência – bem sabe o tanto que eu luto diariamente para me livrar dos preconceitos e não é fácil, não.)

Mas o ponto é que, com isso, tudo fica mais racional. Não faz sentido milhões levarem uma vida miserável – de ônibus, trabalho, ônibus, posto de saúde lotado, ônibus, programação da tv aberta – ônibus, etc e tal, ônibus – e serem felizes com isso! Simplesmente não dá.

E a minha teoria ainda prova que aquele papo de que depressão é doença de rico não é balela coisa nenhuma. Experimenta lavar duas trouxas de roupa suja – na mão, é claro,- para ver se não passa. Não é a toa que essas revistas científicas vivem dizendo do benefício de se praticar esportes e tal. Bem que poderiam ser incentivados os esportes de esfregar o chão, limpar a piscina, rejuntar uma parede. Política pública? Quem sabe. 

Outro dia limpei o chão da cozinha lá de casa e fiquei bem contente com o fato. Até então eu tinha pensado que a felicidade se devia ao fato de eu ter realizado alguma coisa que, até então, achava que era incapaz. Outro parêntesis.

(Cresci com 3 irmãos. Amo todos igualmente – que nem a minha mãe. Mas quando a pergunta de quem iria lavar a louça era feita, sempre apontavam para mim, por uma questão de gênero, é claro. E eu, por uma questão de justiça – ou talvez de zodíaco (sou taurina e, consequentemente, ninguém me obriga a fazer o que eu não quero), sempre me neguei a fazê-lo. Daí cresci assim, inapta e totalmente perdida nas tarefas domésticas. E garanto, essas inabilidades custam caro, além de gerarem possíveis desentendimentos matrimoniais).

Mas agora repensando, será que isso já não foi efeito da própria endorfina gerada por tentar deixar um chão limpo? Confesso que não consegui deixar o chão 100%. Mas a endorfina é assim, justa e democrática, ela vem mesmo que você não atinja o seu objetivo. A pura e nada simples tentativa – juro que passei o pano na cozinha umas três vezes – já garante a sua presença. 

Ou não. Existe sempre a possibilidade de que tudo isso escrito aí em cima não passe de uma forma de  tentar justificar a velha rabugenta que vive dentro de mim, apesar de ter nascido com muito mais oportunidade e bens do que esses milhões que vivem sorrindo por aí…..

 

 

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Eu nasci para ser Deus. Mas depois eu descobri que ele já existe, é homem e machista.