Congresso aprova hidrelétrica que inundará a cidade do Rio de Janeiro. Com o PAQB, Projeto Águas Que Te Quero. Energiza Brasil!, o governo Dilza alcança sua maior vitória desde o início do mandato. A presidente saiu às ruas para festejar, acompanhada de Luís Silva, vulgo „Octopus“, um grande visionário e aliado. Os dois desdenharam dos protestos, que se limitaram praticamente às redes sociais e jornais internacionais.

2011 entrou para a história como o ano em que o PAQB-Rio foi aprovado pela maioria avassaladora do PTT (Partido da Traição aos Trabalhadores) e do PMEQ (Partido Mamãe Eu Quero) no Congresso Nacional. Não houve „Bossa Nova“ nem „Sonetos de fidelidade“ que fizesse as excelências vo(l)tarem atrás. A cidade do Rio de Janeiro contribuirá definitivamente para a eliminação da deficiência energética do Brasil.

Apesar de votos de repúdio de outras nações, organizações internacionais, cariocas e não cariocas, o governo prevê para 2012 o início das obras da Barragem de Belo Morro. Até junho de 2012, toda a Zona Sul carioca deve ser evacuada e em dezembro do mesmo ano, os moradores dos morros terão de deixar seus lares. Habitantes da baixada fluminense usufruirão de mais tempo para a mudança de casa, pois as águas de março de 2013 carregam o prazo final consigo. Para os cerca de 12 milhões de cariocas e fluminenses desabrigados serão construídas casas populares nas redondezas. “Populares, mas dignas de viver“, como disse a presidente Dilza. Além disso, todos serão idenizados com 36 salários mínimos, período equivalente aos 36 meses de construção da barragem no lugar da “cidade maravilhosa”. Como diriam os Mestres da Numerologia: “Melhor vibe não há!”.

30 anos em 3

Mas com tantos gastos e locomoção em massa de moradores do Rio, por que então construir a Barragem de Belo Morro? Segundo o relatório apresentado nesta sexta ao Senado, as vantagens compensam as desvantagens.

„A cidade do Rio de Janeiro fica numa região estratégica. Próxima de Minas, São Paulo e da Região Sul do Brasil, ou seja, do polígono industrial brasileiro. Também sua posição geográfica, com planícies e motanhas, contribui imensamente para o sucesso da implementação da hidrelétrica. É uma questão de logística e uso eficiente de espaço, que somente fará o Brasil crescer“, comentou a ministra do Planejamento, Orçamento e Gestão, Mariana Belchiori. A Senhora Belchiori também é responsável pelo PAQB – Projeto Águas Que Te Quero. Energiza Brasil!

Com 6.567 km², a barragem suprirá a necessidade energética de praticamente 55 milhoes de brasileiros. Deputados e senadores mais religiosos chegam até a afirmar que essa será uma energia abençoada. Afinal, o Cristo Redentor continuará de braços abertos debaixo d’água. Corre-se o boato, porém, de haver políticos cariocas a favor de vender pedaços do Cristo. Como os berlinenses fizeram com o muro deles. O dinheiro arrecadado seria utilizado para as indenizações da população desterrada. Guias mergulhadores já estão sendo treinados para guiar turistas sob águas. A intenção é deixar o projeto o mais autossustentável possível. Hotéis subaquáticos também já fazem parte do plano de turismo. O governo abriu um site somente para receber sugestões dos cidadãos para o aumento da autossustentabilidade e diminuição da agressão ao meio ambiente em Belo Morro.

F.Real.C e Motosserra, recentemente apelidados de “a oposicao de snorkel”, acusaram os idealizadores de Belo Morro de “Ditadores das Águas”. Segundo eles, o portal de sugestões aberto à população procura somente maquiar a imposição do projeto PAQB, sem consentimento prévio do eleitorado. Sarneydo se sentiu incomodado com as palavras da oposição. Disse em alto e bom tom que, como defensor da democracia, não toleraria esse tipo de comentário. “Não querer aceitar, na realidade, querer censurar o que a oposição diz, mostra que Sarneydo não perdeu sua memória e continua o mesmo de 64.”, retrucou Motosserra. “Esses smurfies que vão pros infernos. Deveriam ficar aliviados, pois tudo que escreveram ficará agora debaixo d’água.”, descontrolou-se o senador.

Apesar do estranho silêncio da União Nacional dos Meritosos Estudantes (UNmE) e de certos sindicatos no debate, o drama continua.

Na última sexta-feira, o Senhor Octopus desabafou suas mágoas em entrevista coletiva no Piscinão de Ramos e respondeu emocionado a imprensa: „Fomos criticados por todo o mundo. Principalmente no estrangeiro. Mas a Europa tem sua Veneza e sua Amsterdam praticamente embaixo d’água e ninguém se mete nisso. A China destruiu patrimônios da humanidade para salvar sua população do apagão e todo mundo ficou calado. Estão nos acusando de querer exterminar a população carioca que não concorda com o projeto. Mas eu lhes digo: Quem é contra Belo Morro, é contra o Brasil. E nenhum carioca vai ficar sem ter onde morar. Certamente, até a violência vai acabar. E novela, samba e bossa nova se pode fazer em qualquer lugar. O Brasil já deixou de ser colônia e fazemos o que quiser com o que é nosso. Podem me chamar de demagogo ou que for, mas o nosso Brasil vai crescer trinta anos em três.“

Quando argumentado de que a paisagem quase subaquática de Veneza é obra da natureza, Octopus contrargumenta: “E daí? O PAQB-Rio está aí para também segurar na mão de Deus.“

A nova Bandeira Nacional

Dilza e Octopus planejam mudar o lema da bandeira para “Águas e Progresso”. As cores permanecerão as mesmas, mas no lugar das estrelas celestiais, teremos estrelas marinhas representando os membros do PAQB. Edital de concurso, convocando os artistas da bandeira, já foi publicado. Resta-nos torcer para que o artista vencedor não se esqueça de pintar todo o brilho dessa constelação refletindo-se nas águas.

Pouco antes do fechamento desta edição, nossa equipe avistou dois cartazes pendurados nas mãos do Cristo Redentor. Em um havia escrito „Cristo, ensina-me a andar sobre as águas“. No outro, lia-se: „O último que sair, apague a luz.“ O carioca perde a cidade, mas não perde a piada.