É, gente… O que será o humor?

outubro 4, 2011

Apesar do absurdo que é uma pessoa jovem e que representa uma nova geração de comediantes brasileiros ser tão preconceituosa, não quero falar sobre o humorista branco que anda por aí demonstrando toda a sua “hombridade”. A idéia é pensar como a mídia e as pessoas defendem posturas como essa do Rafael Bastos.

Gosto de ler os comentários sobre as notícias. Por ali dá pra se ter uma idéia do que se pensa sobre o assunto. Certamente não se esgotam as opiniões, em geral, quem se esgota é o leitor, tentando entender mensagens indecifráveis e super-ultra-mega-preconceituosas.

Para todas as piadas dos nossos novos comediantes que são acusadas de desrespeitarem  minorias aparecem três tendências. Uma delas é de indignação, em favor de que se puna esse tipo de humor misógino, racista e homofóbico. A outra é a defesa de que é só piada, não se tem que levar a sério, afinal, “O cara tava só brincando…”. A última aparece em textos jornalísticos e se reveste da ideia de proteger a liberdade de expressão. Neste caso, a percepção é de que os pobres humoristas estão sendo perseguidos, tolhidos e censurados pelo politicamente correto.

Podemos dizer que pegaram o politicamente correto pra bode expiatório e tudo o que as pessoas fazem que é preconceituoso ganha uma aura de enfrentamento a um código de comportamento vazio de sentido. O problema não é achacar os outros para reafirmar uma posição de poder ou uma normalidade normativa. Pensa-se que o problema é a crítica. Afinal,  se não fosse o politicamente correto, toda essa comoção nem existiria… E toda aquela questão do discurso como recurso de poder e de construção de realidades se perde assim, na curva da vírgula de jornais e revistas. Será que os caras entendem qual é o papel que desempenham?

Ainda que muitas das piadas continuem seguindo o padrão tradicional de humor – afinal não há nada mais engraçado que mulheres estúpidas ou homossexuais em qualquer situação imaginável -, o público desses humoristas e os próprios comediantes vão precisar mudar a razão da risada. Toda a reação aos programas de humor mostra que há um processo de amadurecimento das demandas das minorias e que não é mais válido fazer troça de hierarquia e de desigualdades.

Talvez um dia um comediante comece a piada assim: “Tem aquela do humorista que achava engraçado ser escroto com mulheres…”

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6 Respostas to “É, gente… O que será o humor?”

  1. Cris Q said

    Adorei o texto. E realmente eu não entendo a liberdade de expressão. E é um argumento que cola para muita gente. Censura!!! Não amigo/a, você só não pode sair ofendendo as pessoas em nome da liberdade de expressão! Enfim….

  2. Danusa said

    Alguém aí quer ler a minha batalha pessoal no facebook contra “uma piada, só isso”?
    Layla, texto muito bom!
    Vc precisa aparecer mais. Só leio o ar da sua graça aqui no blog, hmpf. Telefona quando vier a Bsb, faz menos tempo que vi a Sara do que vc, pô!!!

    • Layla said

      Sim, para tudo. Conte da batalha!

      • Danusa said

        Ah, um bocó escreveu uma piada escrota sobre o dia da secretária e o aumento do faturamento dos motéis no dia e eu disse que achava o comentário horroroso, mas é claro que eu fui chamada de mal-amada e similares (pelos amigos dele e, principalmente, pela namorada – ó céus). Daí o negócio rendeu, rendeu, até eu ser chamada de mal-comida, basicamente. Ai, que preguiça de gente tapada.

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