Ode ao falo

agosto 30, 2011

Por incrível que pareça, não era uma sociedade tão distante da nossa. Os homens eram o grande objeto de desejo, idolatrados por sua beleza e por sua fragilidade. Sim, pois vieram ao mundo sem (quase) nada a oferecer, com alguns centímetros a acrescentar. 

Desde cedo começaram a exercer o fascínio sobre as  mulheres, essas sim, donas de corpos práticos e que suportavam o fardo e a responsabilidade de dar continuidade à espécie. Não era à toa que estavam no topo.

Aos homens restavam o papel secundário na reprodução e a isso foram reduzidos. A seus falos. Como não eram nada tacanhos, ao contrário do que era difundido até então, se tornaram mais conscientes de seus membros e passaram a exibi-los como prêmios.  E como troféus foram tratados. Estátuas em sua homenagem foram erguidas, canções exaltavam o seu formato, poetas declamavam a sua obviedade. Para todo o lado que se olhava, com um falo se encontrava. Estávamos diante de uma sociedade falocêntrica.

E como o  seu funcionamento estava relacionado a uma série de variáveis até então incompreendidas,  seus portadores deviam ser resguardados ao máximo, pois, aparentemente até mudanças bruscas de temperatura poderiam comprometer o seu desempenho. Eram idolatrados como deuses e, como tais, protegidos como tesouros.

Da mesma forma, não eram muito afetos ao trabalho. A eles cabia uma função essencial e, mesmo assim, não eram aptos a realizá-la de forma contínua. Por isso, proibiu-se que se envolvessem com qualquer outro tipo de atividade, todas as suas energias deviam estar voltadas para aquele pedaço – genioso, diga-se de passagem -, de carne.

Eram criaturas conhecidas por sua suscetibilidade e, para tentar melhor compreendê-los, uma parte inteira do que se aproxima da nossa “ciência” foi desenvolvida. Eram seres tão misteriosos que eram acometidos por  mudanças abruptas de estado de espírito o que, mais uma vez e, preocupantemente, afetavam a natureza de sua função. Dizem as más línguas que esses estudos foram a base do que hoje conhecemos por psicologia.

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Uma resposta to “Ode ao falo”

  1. pataqui said

    hahahah
    faloU muito bem!
    hahahah

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