Eu tenho medo do cidadão de bem

agosto 3, 2011

O quase finado Orkut deixou boas lembranças. Uma delas foi a comunidade „Eu tenho medo do cidadão de bem“.
Abaixo, a descrição da comunidade:

O cidadão de bem, personagem do filme “A indústria do medo”, é trabalhador, tem uma família saudável e feliz.
Seus filhos estudam nos melhores colégios tradicionais onde recebem uma formação religiosa da moral e dos bons costumes.
Todo domingo, no conforto de seu lar, ele e sua família assistem ao Fantástico.
O cidadão de bem é a favor da pena de morte, nunca abandona suas convicções de direita, chama pobre de vagabundo, acha que homosexualismo é doença e avança sinal vermelho porque é muito ocupado e tempo é dinheiro.
Ele guarda sua arma ao alcance das mãos para defender sua família feliz do bandido que entrará de madrugada e com toda sua bravura o matará antes que o bandido exploda sua casa.
Ele também acha aborto uma coisa muito ruim (até sua filha ficar adolescente, é claro).
O cidadão de bem é fã do futebol e, enquanto assiste aos jogos e toma cerveja, sua alegre esposa cozinha a janta.
O cidadão de bem é feliz e o será até que um bandido roube sua arma.

Quem tem medo do cidadão de bem? 

Claro que não podemos nos esquecer da „cidadã de bem“. Católica, evangélica, crente em Deus, que explora a empregada doméstica e é contra o casamento gay. Afinal, família com „pai e mãe“ é coisa sagrada. E óbvio que gay só pode ser cidadão na hora de pagar impostos e não para ter direitos.

O hom(em)ofóbico do bar e a (des)instrutura de Krav maga, citados em um dos posts anteriores, são certamente cidadãos de bem.

E aí me vem a pergunta: pessoas tornam-se „cidadãs de bem“ por serem religiosas, ou tornam-se religiosas por serem „cidadãs de bem“? Difícil abandonar o círculo. Mas qualquer resposta não me impede de fazer uma conexão (quase que mediúnica!!) entre religião e preconceito.  Continua a me causar náuseas também lembrar que ética, respeito e religião ainda são, insistentemente, jogados na mesma caldeira (dos infernos!). Gente, essas três palavras não são a santíssima (masculina) trindade!

E, aproveitando a onda mais que bem-vinda, neste blog, na defesa de minorias. Gostaria de convidá-l@s a juntar-se a mais uma campanha. A campanha contra o preconceito contra ateus. Ser ateu não é crime! Vergonhoso é um ateu ainda ser olhado de forma desconfiada, quando se assume como tal, e um homofóbico, crente em Deus ou não, ser aplaudido em silêncio num bar ou sala de aula. Não que todos ateus sejam livres de preconceitos e que todos religiosos os tenham. Mas, assumir que um ateu seja um criminoso em potencial e alguém que tenha fé em deus seja a bondade em pessoa é tão ou mais absurdo!

Ao cidadão de bem de todo o mundo, eu só tenho algo a dizer: „Mal Dito Seja o Deus que Vos Educou!“

Parabéns a Porto Alegre pela mais recente campanha! Ateus, saiam do armário!

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Uma resposta to “Eu tenho medo do cidadão de bem”

  1. Cris Q said

    Eu conheci um padre que chamava os ateus de “ateu-atoa”. Não sei se ele era um cidadão de bem. Um tanto quanto indelicado posso afirmar que era.
    Na missa de sétimo dia do meu pai, ele me olhou nos olhos e me perguntou “por que essa cara feia?” E no enterro – a ordem cronológica aqui não importa muito – ele rezou um pai nosso para o próximo dali que morreria. Nesse último caso, não sei se foi indelicadeza ou despreendimento mesmo.

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