Exitou antes de bater à porta do vizinho. Pensou na felicidade da sua mãe ao saber que estava interagindo com outras pessoas. Com certeza isso justificaria a sua displicência em não atender a ligação. Ao mesmo tempo se sentiu mais óbvia do que o normal por achar que todos os seus problemas poderiam ser resolvidos por uma boa foda. A quem queria iludir? Pelo menos deixaria de pensar em alguns minutos em sapos e moscas.

Bateu. A porta foi aberta. Como falar não era uma de suas melhores habilidades, entregou a garrafa de chá e sorriu. Surpreso, o vizinho, a convidou para entrar. Ele não tinha mesmo nenhuma outra opção, pensou Ana. Já familiarizada com o lugar, foi direto para a cozinha. Sorrindo, disse a sua primeira frase: “Chá de laranja com canela é a combinação perfeita para uma torta de merengue”. O vizinho agradeceu a cortesia a convidou para um pedaço de torta…….

Nesse momento, Ana foi tragada por seus pensamentos. Na verdade, não tinha interesse na vida do vizinho. Seu interesse, na melhor das hipóteses, era na torta. Começou a ponderar que era melhor ter continuado como mosca ou atender ao telefone. Não. Pensava em como a sua vida tinha chegado até aquele momento.

Ouviu que Oto era o seu nome. E, automaticamente sussurrou: “palíndromo”. O vizinho, agora Oto, emendou “Ana Palíndromo?” Não, ela sorriu: “Nossos nomes são palíndromos”. E Oto, o então vizinho, continuou…..

Gosto de Garoto

março 21, 2011

Meu time é o Flamengo, minha escola de samba é a Unidos da Tijuca. Entre outras coisas, gosto de funk. Bebo cerveja, adoro carne seca e feijão com farinha. Minha fruta preferida é banana.

Adoro o pacotão, carnaval de rua, barulho. A minha veia trash  ou pop – dependendo da referência – é muito mais acentuada do que a dos demais. Gosto de coisas rasas:  Big Brother, séries enlatadas e Back Street Boys.

As profissiões braçais me interessam muito mais do que as intelectuais. Tenho vontade de ser garçonete, bombeira, voluntária da cruz vermelha, mãe, araponga, ajudande de obras. Os óculos escuros da Riachuelo sempre ficam melhor em mim do que os de marca. Vendedores me intimidam e sempre procuro comprar em lojas de departamento. Sempre. 

Não domino bem o português. Tenho dificuldade com as vírgulas e, em especial, com a crase. Desisti do Francês. Não gosto de poesias, durmo em filmes iranianos, gosto de luta livre e de beber leite.

Falando em leite, meu sorvete preferido é o de creme. Não gosto de Ferrero Rocher.  Não ouço música clássica. Em resumo, estou aqui por  acaso. Por uma piada. Talvez de mau gosto.

Ontem a noite me deparei com algo bem legal na televisão. Na HBO. Um documentário de longa metragem do Martin Scorsese. Public Speaking. E não, eu não me interessei por conta do título. Nem por conta do diretor.

Na verdade, eu peguei na metade e me deparei com essa senhora com cara de senhor falando sobre homossexualidade e cigarros de uma maneira muito engraçada.  Não vou repetir o que ela disse porque senão perde a graça. Quer dizer, toda a graça está nessa senhora, não tem como reproduzir. 

E quem é essa senhora? Fran Lebowitz.  Uma senhora judaico-lésbica-americana com um humor super afiado. Deliciosamente pessimista.  Os otimistas que me perdoem, mas são os pessimistas que têm o melhor senso de humor ever.

Enfim, fica um pouco do documentário aí embaixo. Ela fala rápido para caramba, mas o documentário na HBO tem legendas.

http://www.youtube.com/watch?v=uLceaQuFyQE

Ah, esqueci de dizer que ela é uma escritora que não escreve há uns 20 anos e que sobrevive falando em público. Ou seria para o público? De toda a forma, fica a dica.

Medonho

março 2, 2011

Tanto medo. Tanto sono.
O medo me dá sono e o sono me dá medo.
Não tenho medo porque tenho sono.
Tenho sono porque tenho medo.
E  se durmo, pesadelo.
Vai um café?