Cavaleiro de Aruanda II

dezembro 16, 2010

Sou filha de Oxóssi. Desde criancinha meu pai me chamava de bicho do mato.

Pedreste em São Paulo

dezembro 14, 2010

Não é novidade pra quem me conhece que eu não gosto de São Paulo. Acho que a cidade sufoca as pessoas e se impõe sobre elas… vive-se apertado. A mensagem que fica é: “não tem espaço pra você, em nenhum lugar”. Gosto da amplidão, gosto de ver o céu, a lua, ter o horizonte como parte do cotidiano… isso a cidade-monstro não tem. Bem, eu ainda não encontrei. De São Paulo, eu gosto de sair, de ganhar a sensação do espaço na estrada e ir pra praia… em geral tenho sido pródiga  em acertar as praias vazias. Muitas das coisas que dizem ser vantagens da cidade eu não tive a sorte de encontrar… já comi em vários restaurantes (muitos deles caros, pq o mais difícil é gastar pouco em SP), mas nenhum me deu aquela impressão de “não vou achar isso eu outro lugar” ou de “não comi isso em outro lugar”; já fui barrada na entrada de outros vários pq eles já tinham fe-cha-do, o que é esquisito pra uma cidade que não dorme; e senti aqui mais forte o fato de ser mulher e negra. Não acho que a SP de verdade, do cotidiano, seja cosmopolita… gays apanham na Avenida mais diversa(?!) da cidade! Gostei quando uma amiga me disse: você não vai encontrar um lugar como o Beirute em SP, que recebe “famílias tradicionais” (com avós e netos) e é uma das baladas gays de Brasília. Aqui, é cada um na sua.

Mas o post não é sobre São Paulo e a difícil relação que tenho com ela. O post é sobre ser pedestre na megalópole. Voltemos ao assunto, a epígrafe foi um desabafo (como o resto também vai ser)!

Escrevo com raiva e completamente molhada. Sou pedestre em São Paulo e não quero mudar de status. Só quero respeito e, se não der pra ser respeitada, alguma consideração. Hoje chove a cántaros e ainda assim os carros não podem esperar e dar passagem aos transeuntes. A cada cruzamento (e são muitos!), a pedestre pára e espera para que os motoristas protegidos pela armadura de ferro passem para que ela possa seguir seu caminho; ela encharcada, eles sequinhos, mas com mais direitos, afinal são mais fortes.

Dia desses esperava por uma carona, perto de um sinal de trânsito. O sinal fechou para os carros, abriu para os pedestres, a via a atravessar era laaarga. O casal, a passos rápidos,  tinha atravessado quase tudo, faltava a última faixa. O sinal abriu para os carros. As filas vencidas pelos pedestres começaram a se movimentar, mas aquela última tinha que esperar. O motorista quis mostrar a sua força e começou a acelerar o carro, fazendo com que ele se movimentasse ameaçadoramente contra os pedestres, que continuavam sua trajetória, agora temendo ser atropelados por uma caminhonete brutamontes e seu motorista inconseqüente e cheio-de-direitos.

Outras vezes os carros passam depois que o sinal fechou para eles. Eles roubam um pedaço do tempo de passagem da pedestre, que depois não querem devolver. Motociclistas também gostam de fazer isso. No fim das contas, a única que tem que esperar é a pedestre. O que um pedaço de carne e ossos pode fazer contra o cidadão na máquina?

E os motoristas que buzinam em cima dos pedestres!? Um dia ainda páro um deles e coloco a cabeça dentro do motor e aperto a buzina… ou então distraio um deles na rua e mando alguém buzinar para que eles possam saber a sensação de ser assustada por um babaca inconseqüente que se acha o dono do asfalto.

Tem um último tipo de que quero falar. Foi o que me molhou dos pés à cabeça. Ele esquece que nas cidades brasileiras a estrutura de coleta das águas pluviais é ridícula e que poças e rios correm quando chove. Mantém a sua velocidade padrão e sai espalhando água pra todo lado, como se só houvesse uma pessoa no mundo: ele e a máquina. Sinceramente, espero que o carro estrague e permita ao seu motorista viver a experiência de ser pedestre numa cidade de carros e de pouca atenção aos direitos alheios.

Fico esperando que um dia haja uma mudança profunda na nossa cultura social. Espero que chegue o dia em que as pessoas deixem de cobrar dos governos a defesa do bem público. Nós, todos os dias, defendemos nossos interesses, apesar de existirem outras pessoas. Esperamos poder ludibriá-las, desrespeitá-las, achacá-las e pôr a culpa em instituições. A cada dia me convenço mais que é nas minhas pequenas ações e na atenção para com os outros onde mora a virtude.

Se o motorista não precisa sair com duas horas de antecedência pra pegar o ônibus e o metrô, pq ele não pode esperar que eu passe? Pq o tempo dele vale mais que o meu? Pq a fluidez do trânsito de carros é protegida e eu não? Que lógica é essa?

Até o fim

dezembro 11, 2010

Quando nasci veio um anjo safado
O chato do querubim
E decretou que eu estava predestinado
A ser errado assim
Já de saída a minha estrada entortou
Mas vou até o fim
“inda” garoto deixei de ir à escola
Cassaram meu boletim
Não sou ladrão , eu não sou bom de bola
Nem posso ouvir clarim
Um bom futuro é o que jamais me esperou
Mas vou até o fim
Eu bem que tenho ensaiado um progresso
Virei cantor de festim
Mamãe contou que eu faço um bruto sucesso
Em quixeramobim
Não sei como o maracatu começou
Mas vou até o fim
Por conta de umas questões paralelas
Quebraram meu bandolim
Não querem mais ouvir as minhas mazelas
E a minha voz chinfrim
Criei barriga, a minha mula empacou
Mas vou até o fim
Não tem cigarro acabou minha renda
Deu praga no meu capim
Minha mulher fugiu com o dono da venda
O que será de mim ?
Eu já nem lembro “pronde” mesmo que eu vou
Mas vou até o fim
Como já disse era um anjo safado
O chato dum querubim
Que decretou que eu estava predestinado
A ser todo ruim
Já de saída a minha estrada entortou

Time goes on

dezembro 6, 2010

Todos os dias,

a árvore em frente a minha casa

me dá lições de insistir.

 

Cavaleiro de Aruanda

dezembro 5, 2010

Qual é o santo que faz a sua cabeça?