Balanço

novembro 19, 2010

O problema é que ela não sabia muitas coisas da outra. Tinha visto uma foto há muitos e depois descobriu, há pouco, que passaria a ter uma coluna quinzenal. Dessas de gente que tem o que dizer.  E desde então tinha começado a obsessão: lia todas as notícias a respeito, tentava inteirar-se de tudo o que era jeito de sua vida.

Não era infeliz com a sua vida (como espero já ter provado anteriormente). O ponto não era esse. A questão era a felicidade da outra. Como não balizar a sua vida pelos sentimentos dos demais? Sabe aquela felicidade que incomoda? Felicidade dos outros, é claro. Então, ela tinha isso. Suspeitava dos sempre felizes.    

Algumas vezes, queria ter a vida dela. Ou pior, acredita que a vida dela poderia ter sido a sua. Sabe quando você lê algo e aquilo te toca tão profundamente que você não consegue entender porque não foi você quem escreveu? Então, o sentimento era esse. Uma versão sua mais elaborada. Um 2.0. Não que entendesse de carros.

O conhecimento é uma desgraça, não? Quando desconhecia a existência da outra, nada a incomodava. Tudo bem que a sua definição de felicidade às vezes se assemelhava com o que chamamos de depressão. Não. Acho que isso é um exagero. Ela era conformada. E estava feliz com o que tinha. É como se, de repente, ela tivesse visto tudo aquilo que ela realmente poderia alcançar. Mas, então, o que fazer com a preguiça? Era uma relação de custo – beneficio, entende?

E ela também não gostava de fazer contas.

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