Volver

novembro 8, 2010

Acho que só consigo escrever no trabalho, porque só consigo escrever entediada. Talvez não. Talvez escrever demande necessariamente sentar-se à frente do computador por algumas horas. (E eu só tenho esse hábito quando trabalho). Li recentemente que Flaubert não tinha muito talento para escrever, mas que a sua disciplina e dedicação transformavam o não talento em boa literatura. Eu não tenho a disciplina, muito menos o talento.

Eu sempre tive problemas em responder perguntas. Quanto mais simples, mas difícil a resposta. Ontem, por exemplo, me perguntaram do que eu gosto. Fiquei calada. Podia dar uma lista das coisas que eu não gosto, mas listar o que  realmente  gosto eu não seria capaz de fazer. De qualquer forma, porque diabos as pessoas fazem esse tipo de pergunta, ainda mais num consultório médico. Nessas horas eu fico muda. Funciona.

Eu podia escrever sobre um monte de coisas. Afinal, as últimas  semanas foram bastante intensas. Faringite, greve, balão, postos de gasolina, reencontros, amigos, frio, muito frio. As coisas por aqui também estão dando o que falar, essa campanha política desastrosa e as criancinhas – porque são elas que realmente importam – no meio de tudo isso.

Mas o que eu quero realmente dizer é que eu estou feliz em estar de volta. Porque, aqui, eu pertenço. Faço parte, entende. E isso para mim é importante. Não que eu não me sinta um peixe fora dágua por aqui. Eu me sinto, e não tão eventualmente assim (isso daria um outro post). Mas sabe aquele conceito de “home”? Então, ela é aqui. E não além fronteiras.

Admiro muito todos os que conseguem não pertencer. E desejo toda a sorte do mundo aos diplomatas, cônjuges de diplomatas e aos que estão longe buscando e encontrando qualquer tipo de inspiração.

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4 Respostas to “Volver”

  1. Sara said

    Pois é, omo ale! Mas o “nao pertencer” tb pode viciar. A pessoa se acostuma com deslaços e frouxidoes. E, ao mesmo tempo que se sente livre e obrigada a descobrir o que gosta e nao gosta além fronteiras, tb tem que lutar constantemente para nao se tornar cínica. Eu vivo nesse conflito!
    Qt a escrever…ai se eu fosse Flaubert! 😉
    Mas vc tem talento sim. E a Layla tb! Que fique registrada, com raízes profundas, minha opiniao!

  2. Cris Q said

    Não entendi a parte do não se tornar cínica, explica?

  3. Sara said

    Minha definicao de “cínica” é alguém que se desapega e se distancia tanto de tudo, que pra ela tudo tanto faz, que nao leva nada a sério e se torna indiferente. Sei lá… como na música “socorro” do Arnaldo Antunes, só que sem o pedido de socorro, ou melhor, cortando essa palavra. É isso, eu misturo cinismo com “indiferenca irônica com a vida”.
    Nao sei se tá certo, pq eu sempre tenho uma percepcao alterada de siginificados. Nenhuma surpresa eu só ter descoberto aos 16 anos que “pipi” nao é “cocô”, mas sim “xixi”! :-))

    • Cris Q said

      É aquele conceito do Simmel, não? Muito bem utilizado em algumas boates gays…o blasé….Não que o conceito se relacione diretamente com a questão da sexualidade…

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