Felicidade

novembro 5, 2010

Esse tema é bem batido, e todo mundo já sabe que ela é efêmera. O melhor é que podemos ser felizes por muitas coisas, por acontecimentos grandes e pequenos. Nesses últimos dias tenho sentido o coração acalentado, como se as coisas fossem dar certo. Não é muito normal sentir isso no fim do ano, mas é o que eu estou sentindo.

Eu fico achando que é por causa da eleição da Dilma, mas não há nada de superultramega renovador nas propostas e no modo de agir politicamente da presidenta (vamos ver se eu me acostumo à idéia) e eu nem fui das ferrenhas defensoras da candidatura dela. Como muitas coisas na vida, só sabia mesmo que não queria o empresariado paulista disfarçado de governo do país no poder central de novo. Principalmente depois de ouvir a tal proposta de refazer a Guarda Nacional como política de segurança. A gente não conseguiu se livrar nem da herança dos coronéis da Guarda Nacional do Império/República Velha. Imagina uma do século XXI! Sem contar a concepção de mutirão como política de saúde, a defesa de critérios de produtividade em sala de aula baseada em notas para remunerar professores e toda a misoginia que foi sustentada pela campanha e pelos eleitores do Serra.

Eu acho difícil engolir a coligação de apoio da candidatura da Dilma e mais difícil ainda engolir o Michel Temer como vice de uma presidenta do PT! Mas depois que o Lula usou o argumento de respeitabilidade para defender o Sarney, afinal ele é um ex-presidente, já era pr’eu ter entendido que o PT da minha infância era um outro…

A vida é toda informada por simbolismos. Eu, particularmente, gosto bastante disso. E é muito simbólico que nesse nosso modelo limitado de democracia, numa sociedade extremamente elistista-patriarcal e machista, a “massa burra” (como todos nós já cansamos de ouvir) tenha escolhido uma mulher como líder do poder mais proeminente na república. Fico imaginando as menininhas querendo ser presidentas e não as mulheres-frutas da nossa salada de mulheres. Gostei também de ver as pessoas nas ruas mandando brasa nas suas opiniões, defendendo a presidenta. O que eu mais guardo na memória é um senhorzinho negro, catador de papel, conversando com um senhorzinho “japonês”, e dizendo: “Ela vai ganhar, sabe porquê? Por que o meu voto é dela, eu vou votar na mulher e não tem nada que vocês possam fazer!” É difícil ver tanto poder na fala de um brasileiro tão marginalizado pelo cotidiano. Acho bom ver isso. É bom ver que as pessoas acreditam que também são agentes de mudança… pelo menos na época das eleições.

Talvez seja essa a fonte da alegria. As pessoas acreditando que as coisas podem ser diferentes porque elas farão que seja. É como começar o dia com a vontade que as coisas mudem, fazendo pequenas atitudes para que vivamos menos miseravelmente as nossas vidas. E fazendo coisas grandes, como garantir a sobrevivência digna dos seres humanos com quem dividimos o planeta, ou o país, ou o estado. É… Não foi exatamente a Dilma, mas algo que ela simboliza e pode simbolizar.

Estou feliz porque renovei as esperanças, apesar do twitter e da xenofobia e também apesar do cinema nacional. Eu acredito que eu sou parte do sistema e, se é assim, eu posso fazê-lo ser melhor.

Nossa! Quando eu estou feliz eu fico militante, numa luta incessante estilo Cervantes. Com esse texto, espero que a pena(!) volte às minhas mãos.

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5 Respostas to “Felicidade”

  1. Cris Q said

    Cabeça,
    Seu texto me trouxe essa esperança e felicidade que vc fala. E acho que a gente tem que conversar mais sobre o sistema e tropa de elite…andei encontrando mais gente que não gostou….

  2. Vinicius said

    Só quero saber se nessa história eu sou Dulcinéia ou Sancho Pança!

  3. Sara said

    Muy bien, chica! Pois eu tb ando com essa sensacaod e alegria. Acredita que ganhei na loteria semana passada? Sério mesmo! 18 Euros

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